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Os segredos do glúten – mitos e verdades

O glúten é um assunto que tem gerado muita controvérsia e discussão nos últimos anos. Com uma crescente preocupação em relação à saúde e à alimentação, é essencial entender os mitos e verdades em torno deste tema. Neste artigo, não só exploraremos alguns mitos e verdade, mas também entenderemos o contexto histórico de quando se começou a dar-se mais a atenção ao tema  e à doença celíaca.

Contexto Histórico e Atenção ao Glúten

O interesse crescente em relação a esta substância e à doença celíaca ganhou destaque nas últimas décadas, à medida que mais pessoas procuravam respostas para sintomas digestivos e desconfortos que pareciam estar relacionados com a  alimentação.

O glúten é uma proteína que está presente em cereais como trigo, centeio, malte ou cevada, e que juntamente com a água, forma um gel.
O termo “glúten” deriva do latim “glue”, que significa “cola”, e tem sido uma parte fundamental da dieta humana, principalmente na forma de pão e produtos de panificação.

A doença celíaca só começou a ser mais bem compreendida a partir da década de 1940, com a publicação de um estudo pelo Dr. Willem Karel Dicke na Holanda.
Este médico observou que crianças com doença celíaca melhoravam quando o trigo, a cevada e o centeio eram removidos das suas dietas, durante a escassez de alimentos na Segunda Guerra Mundial. Essa informação lançou luz e curiosidade médica sobre a relação entre a dieta e os sintomas da doença celíaca.

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Sintomas da Intolerância

A doença celíaca é uma doença autoimune em que o consumo de glúten desencadeia uma reação adversa no intestino delgado.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa e podem incluir distúrbios gastrointestinais como:

– dor abdominal
– diarreia
– obstipação e inchaço

Além destes pode existir:
– fadiga
– fraqueza
– perda de peso não intencional
– anemia devido à má absorção de ferro
– irritabilidade e alterações de humor


Produtos “Glúten Free” e Segurança

O crescente conhecimento sobre a doença celíaca levou ao aumento da disponibilidade de produtos “glúten free” no mercado.
No entanto, a segurança desses produtos varia. A rotulagem é regulamentada em muitos países, incluindo Portugal, estabelecendo um limite para a quantidade permitida em alimentos rotulados como tal.
Em Portugal, a legislação exige que alimentos rotulados com “sem glúten” contenham menos de 20 mg por kg de alimento.

A contaminação cruzada ainda é uma preocupação. Os alimentos ditos livres de glúten podem ser processados em instalações compartilhadas com ingredientes que contêm este composto proteico, levando a pequenas quantidades de contaminação. Portanto, mesmo produtos rotulados podem não ser totalmente seguros para pessoas com doença celíaca que sejam extremamente sensíveis.


Mitologia VS Realidade

Enquanto algumas pessoas seguem uma dieta sem glúten por necessidades médicas, outras evitam-no devido a informações incorretas ou mal compreendidas sobre os seus efeitos na saúde. Conheça um pouco mais sobre este componente.


Mitos sobre o Glúten

Mito 1: É prejudicial para todos
Há uma crença errada de que é prejudicial para todas as pessoas. No entanto, a intolerância, conhecida como doença celíaca, afeta apenas uma pequena parte da população. Segundo um estudo conduzido pelo Hospital de Santa Maria, estima-se que cerca de 1% a 3% da população portuguesa tenha doença celíaca.

Mito 2: A dieta sem glúten é uma opção mais saudável para todos
Muitas pessoas acreditam que uma dieta sem glúten é automaticamente mais saudável. Nos alimentos sem glúten muitas vezes existem substituições que podem ser ricas em açúcar, gorduras saturadas e calorias sem valor nutricional. Assim, retirar o  glúten da dieta pode levar à falta de nutrientes essenciais, como fibras e vitaminas do complexo B.

Mito 3: É principal causa de ganho de peso
Associar o glúten diretamente ao ganho de peso é um equívoco comum.
A fórmula básica para emagrecer é simples: é preciso ingerir menos calorias do que as calorias que são gastas. Para isso, para emagrecer de forma saudável  é necessário criar um déficit calórico diário, ou seja, consumir menos calorias do que o corpo necessita para manter as suas funções básicas.

Mito 4: Todas as pessoas com sensibilidade a este composto têm doença celíaca
Nem todas as pessoas que relatam sensibilidade ao glúten têm doença celíaca. Alguns indivíduos podem experimentar sintomas semelhantes à intolerância, mas sem a presença de marcadores da doença celíaca.

Mito 5: Produtos rotulados como “livres de glúten” são sempre seguros
Embora a rotulagem seja útil para pessoas com doença celíaca não significa automaticamente que esses produtos sejam completamente isentos de alguma contaminação.
U
ma pesquisa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa apontou que alguns produtos rotulados como “livres de glúten” ainda podem conter vestígios do composto.

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Verdades sobre o Glúten

Verdade 1: Pode causar problemas em pessoas com doença celíaca
Para aqueles que têm doença celíaca, o consumo de glúten pode causar danos no revestimento do intestino delgado.

Verdade 2: Algumas pessoas têm sensibilidade não celíaca ao glúten
Existe um grupo de pessoas que apresenta sintomas semelhantes aos da doença celíaca, mas não possui a condição. Os sintomas nestas situações costumam manifestar-se com menor intensidade.

Verdade 3: É uma proteína presente no trigo, cevada e centeio
Sim, é uma proteína encontrada em cereais como trigo, cevada e centeio. Isso foi confirmado por inúmeros estudos.

Verdade 4: A dieta sem glúten é essencial para pessoas com doença celíaca
Na realidade, esta dieta é a única abordagem eficaz para pessoas com doença celíaca. É muito importante o diagnóstico precoce e a adesão rigorosa a essa dieta.

Verdade 5: A indústria alimentar produz produtos seguros para pessoas com doença celíaca
Há uma regulamentação estrita em relação à rotulagem de alimentos sem glúten.


Produtos que parecem não ter glúten, mas contêm:

  1. Molhos de soja: Alguns molhos de soja podem conter esta substância devido à adição de trigo na formulação.
  2. Salsichas e enchidos processados: Muitas vezes, estes produtos podem conter ingredientes à base de glúten para solidificar.
  3. Misturas para sopas e caldos: Algumas misturas para sopas podem conter espessantes que contêm este composto.

Produtos que parecem ter glúten, mas não contêm:

  1. Aveia pura e certificada: A aveia pode ser segura para algumas pessoas com doença celíaca, desde que seja certificada como livre de contaminação cruzada.
  2. Cerveja: Existem opções de cerveja produzidas com ingredientes sem glúten, como a cerveja à base de arroz ou milho.
  3. Massas: As massas produzidas a partir de farinhas alternativas, como a de arroz ou de leguminosas, são isentas de glúten.

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Conclusão

Separar os mitos das verdades é fundamental para tomar decisões informadas sobre a alimentação.
Embora não seja prejudicial para a maioria das pessoas, é crucial reconhecer a sua importância para aqueles que sofrem de doença celíaca.

 

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